Corpo sente?
Após a tragédia gloriosa de sair de lá, me senti.
Senti frio, falta, órgãos e aos poucos o espaço, a articulação, barulhos e o riso.
Levantei, caminhei e caí. E assim foi por todo o tempo dessa dança louca e ficaria no chão se não fosse o que sai de dentro.
O que sai de dentro pelos olhares, toques, ditos, não ditos e principalmente o sentir-se.
De tanto ocupar essa casca de carne e pele, de tanto mexer, ir e vir, perdi então a sua sensibilidade.
Dureza prática de nossos dias.
Obedientes cervos do que acreditamos ser-nos necessário, caminhada imita a marcha, ao lado outro combatente e tem dias que é matar ou morrer nesta dança deprimente.
Mais cor por favor!
Mais dor por favor!
Mais amor por favor!
Sinta por favor!
E quem sabe ao sentir-se, minta menos a si mesmo
- Poema apresentado em uma intervenção do Grupo Mutações Poéticas.
Sobre o Autor:
Ana Cristina Tolfo é acadêmica do IX semestre do curso de Psicologia da Uri Campus Santiago.
Integrante do GEPW - Grupo de Estudos e Pesquisas Donald Winnicott, do Grupo Mutações Poéticas e do Diretório Acadêmico de Psicologia - Desidentidade.
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